Professor da Poli recebe título de doutor honoris causa da universidade de Grenoble

José Roberto Cardoso foi diretor da Escola Politécnica e é uma referência na área pesquisa de eletromagnetismo, tendo alcançado reconhecimento internacional

O professor e ex-diretor da Escola Politécnica, José Roberto Cardoso, recebeu o título de Honoris Causa do Instituto de Engenharia da instituição francesa Grenoble INP, um centro de excelência na área de pesquisa em tecnologia, com o qual a Poli mantém diversos acordos e interações de ensino e pesquisa.

De acordo com a instituição, o prêmio é uma maneira de reconhecer a excelência científica internacional dos trabalhos de pesquisa do docente da USP, bem como as colaborações de longo prazo desenvolvidas com o instituto de engenharia e com a comunidade de pesquisadores da França. A cerimônia de entrega da premiação será realizada em dezembro deste ano.

José Roberto Cardoso é professor titular da Escola Politécnica da USP, onde recebeu os títulos de Engenheiro Eletricista, Mestre em Engenharia Elétrica, Doutor em Engenharia e Livre-Docente em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da USP em 1974, 1979, 1985 e 1996, respectivamente. É autor de três livros, um deles em língua inglesa, e participou como autor em mais de 70 artigos em revistas internacionais qualificadas, e apresentou mais de 200 trabalhos em eventos científicos. Ele já orientou 40 Teses e Dissertações.

Sua área de interesse inclui métodos numéricos para solução de problemas eletromagnéticos, aplicações eletromecânicas na engenharia biomédica e educação em engenharia. Atualmente é presidente da Sociedade Brasileira de Eletromagnetismo. Foi diretor da Escola Politécnica da USP no período de 2010 a 2014. Fundou o Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado da Poli, e é pesquisador 1D do CNPq.

O professor Gustavo Rehder, que coordena o acordo de duplo diploma entre a Poli e a Grenoble INP, explica que a instituição é um conjunto de seis escolas de engenharia, um dos grandes centros de tecnologicos da França, muito próximo das indústrias. Ele destaca que a concessão do título por parte de outra instituição, por si só, já é um grande reconhecimento. Se tratando de uma das mais importantes universidades francesas, é uma importante valorização para a Escola.

O professor da Poli, Marcio Lobo Netto, que atua nas atividades relações internacionais da Escola e da USP, ressaltou a importância deste reconhecimento da atuação de um docente por uma instituição como a universidade francesa, que assim como a Poli integra a rede CLUSTER (Consortium Linking Universities of Science and Technology for Education and Research).

Sobre o professor – Após realizar sua graduação e pós na Escola Politécnica da USP, na década de 1980, José Roberto Cardoso foi fazer o seu pós-doutorado na Grenoble INP, em uma área emergente, chamada métodos dos elementos finitos no eletromagnetismo, que foi tema do seu doutorado no Brasil. Seu pós-doutorado só foi possível devido a uma visita do coordenador do laboratório de eletrotécnica da Grenoble INP ao Brasil, Jean-Claude Sabonnadière, que ofereceu um curso de curta duração na Poli-USP.

Ele considera que esta foi a época mais importante de sua carreira. Lá ele trabalhou com pesquisadores que eram referências, o que o levou a estabelecer um canal de relacionamento que levou a diversos convênios de cooperação e interações de pesquisadores, levadas adiante pelas novas gerações de docentes e alunos. Além disso, ele conta que durante este intercâmbio aprendeu como se faz a gestão de um laboratório de pesquisa, da gestão de pessoas à interação com a indústria.

Sobre a carreira como pesquisador, hoje reconhecida pelo título, Cardoso conta que sempre foi o seu projeto de vida, uma vez que adorava estudar, e colocou seus esforços para alcançar seu objetivo. “A carreira acadêmica é desafiadora, tem diversas frustrações, mas tive sorte de trabalhar com uma equipe competente. Dou muita importância à equipe, pois com uma equipe entusiasmada, as coisas se realizam. O sucesso na área acadêmica está no entusiasmo. Sem uma equipe, não se sobrevive”, defende o docente, que fundou o Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado da Poli.

Após construir um sólido conhecimento na área de eletromagnetismo, o docente da USP passou a se interessar pelos estudos sobre o ensino de engenharia. Ele desenvolveu uma esta pesquisa em paralelo ao eletromagnetismo, uma vez que a disciplina que lecionava era considerada difícil pelos alunos. Preocupado em encontrar formas de ensinar nas quais o aluno tivesse prazer em aprender, ele se aproximou dos estudos sobre o tema por meio de fóruns de educação em engenharia e na interação com pesquisadores da área. “Existe um movimento mundial para tornar o curso de engenharia mais agradável e mais fácil de acompanhar. A noção de que se trata de um curso difícil tem afastado os alunos de engenharia, muitos talentos, para outras carreiras. É preciso formar engenheiros para as exigências do mercado: com conhecimento tecnológico aliado a outras competências, como inteligência emocional e a capacidade de se comunicar e trabalhar em equipe”.

A metodologia ativa de aprendizagem para ensinar eletromagnetismo na graduação é, segundo o docente, um estímulo para que ele se dedique cada vez mais a estes estudos.

Fonte: Poli-USP

1 Comentário

Deixe uma resposta

Não se preocupe, seu email não será publicado.

*