Essa tal de Data Science – Clube Minerva

data scienceA Data Science, ou Ciência de Dados, é considerada a grande revolução tecnológica contemporânea. Diferente das revoluções anteriores, dessa vez as mulheres marcam presença e assumem protagonismos, provando que qualquer barreira não passa de preconceito a ser desconstruído.

Para desmistificar conceitos e aprimorar o conhecimento na área, o Clube Minerva, em parceria com a WiDS (Woman in Data Science), promoveu o workshop “Essa tal de Data Science”, reunido especialistas que abordaram o assunto sob vários pontos de vista.

O primeiro dos três encontros, intitulado “Lugar de Mulher”, foi dedicado a apresentações sobre soft e hard skills, síndrome da impostora, determinismo biológico e algoritmos enviesados. São assuntos que não estão diretamente ligados à parte técnica da Data Science, mas que são fundamentais para o acesso de mais mulheres nas áreas de tecnologia.

A engenheira química Mariana Kobayashi, embaixadora do WiDS em Paris, trouxe informações sobre a importância dos soft skills no atual mercado de trabalho. Diferente dos conhecimentos técnicos, conhecidos como hard skills, que são mesuráveis e quantificáveis, os soft skills demandam mais autoconhecimento para serem desenvolvidos.

Segundo Kobayashi a inteligência emocional e a empatia são características que ganharam muita relevância nos últimos cinco anos. O desenvolvimento dessas habilidades traz benefícios pessoais que não se restringem ao campo empresarial. Conforme explicou Carolina Portela, publicitária, que atualmente cursa psicologia, a síndrome da impostora é um quadro bastante comum entre as mulheres.

Os sintomas da síndrome, que não é um quadro clínico, mas um conjunto de características, estão ligados à insegurança e ao medo de não estar à altura das conquistas e das responsabilidades. Portela explica que a síndrome não é exclusividade das mulheres, mas por conta da cultura machista, que por séculos impôs o “lugar da mulher” na sociedade, as mulheres acabam encontrando mais dificuldade de provar o próprio valor.

Para não deixar dúvidas quanto à capacidade feminina, Elidamar Nunes, bióloga com pós-doutorado em engenharia elétrica pela Poli, falou um pouco sobre o determinismo biológico e em quais aspectos os genes influenciam em nossas capacidades.

De acordo com Nunes, existe o biodeterminismo em nossos traços físicos e até psicológicos, porém a vida é um fenômeno muito complexo e com inúmeros fatores envolvidos. São os fatores ambientais e sociais, que tornam cada indivíduo único, os responsáveis pelas escolhas profissionais que fazemos. Ou seja, desde que haja uma formação adequada e estimulante, não existe nenhum fator natural que impeça as mulheres de seguir nas carreiras ligadas à tecnologia.

O desenvolvimento dessas carreiras é visto por muitos como a solução de problemas históricos, já que os algoritmos trabalhariam dados de forma imparcial, sem levar em conta questões de gênero ou raça. Na apresentação de Daniele Monteiro, mestre em engenharia da computação e instrutora oficial do LinkedIn Learning, vimos que não existem soluções mágicas para problemas tão complexos.

Algoritmos são elaborados por pessoas e acabam reproduzindo a visão de mundo dessas pessoas. Monteiro cita alguns exemplos de algoritmos enviesados, desde a busca por imagens de “mulher de sucesso” no Google, exibindo majoritariamente mulheres brancas e sem diversidade; até o reconhecimento facial tendencioso, que já resultou na prisão de pessoas inocentes.

A engenheira da computação explicou como os algoritmos podem e devem ser supervisionados e calibrados, desconsiderando variáveis irrelevantes e assim oferecendo resultados melhores.

Ter um banco de dados diversificado é outro ponto fundamental, já que cada vez mais as empresas percebem os benefícios da diversidade na hora de desenvolver produtos e serviços. Por melhor que seja o algoritmo, um banco de dados homogêneo e sem diversidade produzirá resultados tendenciosos e restritos.

Quando criança, Daniele Monteiro assistia ao seriado Super Vick e sonhava com um robô que realizasse tarefas domésticas como na série. Hoje a engenheira considera muito mais importante uma inteligência artificial com soluções mais humanas, que aproxime as pessoas e proporcione uma sociedade mais justa.

Mão na massa

Após o primeiro dia, que expôs questões teóricas fundamentais para um olhar diferenciado da Data Science, o evento chegou à parte prática, voltada para iniciantes na ciência de dados.

As cientistas de dados Déborah Mesquita e Fernanda Santos trabalharam ao vivo desde a parte mais básica da Data Science, respondendo a perguntas como a função de um cientista de dados e o que é um modelo de algoritmo, até questões mais avançadas, através de exemplos práticos e reais.

Durante a apresentação as palestrantes deixaram claro que para trabalhar com dados não é necessário ser o chamado “cientista de dados unicórnio”, ou seja, um profissional com total domínio dos três pilares da Data Science, ciências da computação, matemática estatística e conhecimento de domínio. A maioria dos profissionais tem mais afinidade com uma das áreas e mantém certo nível de conhecimento das outras.

Para que uma máquina aprenda, de acordo com Fernanda Santos, é necessário desenvolver um algoritmo e treiná-lo para que o resultado seja o mais preciso possível. Um ponto de partida, explorado na apresentação, é o banco de dados Titanic, que usa dados reais sobre a tripulação do transatlântico naufragado em 1912 para relacionar dados, prevendo se determinado tripulante sobreviveria ao acidente de acordo com categorias pré-determinadas.

Nos primeiros passos para transformar dados em informação, que é a base da Ciência de Dados, as palestrantes utilizaram o Jupyter Notebook, do Google Colab. É um serviço de nuvem oferecido pelo Google, que incentiva a pesquisa sobre programação voltada à Inteligência Artificial.

Ao longo da apresentação foi utilizada a linguagem Pyton de programação, que é uma das linguagens mais utilizadas pelas ferramentas disponíveis, com a vantagem de ser open source, ou seja, é software de utilização livre, disponibilizado de maneira gratuita.

As três apresentações estão disponíveis no Youtube e podem ser conferidas abaixo.

 

Dia 1 – “Lugar de Mulher”
https://youtu.be/ijj1ykpWU6U

Dia 2 – Mão na Massa
https://youtu.be/VplTCWgOdiE

Dia 3 – Mão na Massa
https://youtu.be/Xt87uDU7kt4

 

Deixe uma resposta

Não se preocupe, seu email não será publicado.

*