Equidade de gêneros em carreiras internacionais

equidade de gêneros no mercado de trabalhoO Clube Minerva convidou três engenheiras politécnicas, que atualmente moram e trabalham em países europeus, para uma conversa sobre a equidade de gêneros em carreiras internacionais. O consenso das participantes é que são necessárias políticas públicas que atuem em conjunto com ações das próprias empresas para que os direitos femininos atinjam a equidade no mercado de trabalho.

A politécnica Marcia Kuchiki, que mora em Londres desde 2014, citou a multinacional Diageo, onde trabalha, como exemplo. A empresa tem equilíbrio de gêneros entre os funcionários e além da legislação britânica garantir diversos direitos para as mulheres, a empresa ainda desenvolve políticas de diversidade a serem implementadas em todas as unidades, mesmo em países que não cobram a equidade através de leis governamentais.

Outra participante do evento foi a politécnica Mariana Kobayashi, que foi para a Europa em 2014 para fazer o duplo diploma, pela Poli. Hoje, além de trabalhar com governança de dados e transformação digital na Total S.A., ela é embaixadora do Women in Data Science Paris. Mariana chamou a atenção para uma mudança expressiva na equidade de gênero nos últimos anos. Se no início de sua carreira a empresa tinha cerca de 10% de mulheres, hoje as funcionárias chegam a 40%.

Essa percepção é parecida com a da politécnica Bianca Kikuchi, que mora na Itália desde 2004 e hoje trabalha na empresa Altea Up. Ela afirma que quando fazia estágio no Brasil a empresa tinha cerca de 30% de funcionárias e hoje, no atual emprego, já têm mais mulheres do que homens. Para ela essa proporção acaba refletindo na empresa, pois o ambiente de trabalho acaba mudando com a equidade de gênero.

Embora as três participantes indiquem mudanças positivas em relação à presença feminina nas empresas, elas também concordam que para os cargos de liderança essas mudanças são mais lentas e não se comparam, por exemplo, com os cargos de gerência, onde a equidade de gêneros é mais perceptível.

Nesse ponto o avanço das legislações é fundamental para que algumas barreiras que persistem no mercado de trabalho sejam derrubadas. Uma medida frequentemente citada ao abordar a equidade de gêneros são as cotas, mas as participantes foram céticas quanto à aplicação. Ainda que as cotas possam ter um efeito imediato, o ideal, segundo as participantes, seria uma política permanente de inclusão para que a equidade seja atingida naturalmente.

Ao longo da apresentação e das experiências compartilhadas pelas participantes, ficou claro que o cenário dentro das empresas vem melhorando em relação à presença feminina, mas ainda é um tema que demanda muitos debates e ações. Desde a escolha de mulheres para cargos de liderança até questões familiares feitas somente às mulheres, sobretudo durante a entrevista de emprego, questionando sobre a maternidade e criação dos filhos, por exemplo, ainda existe um longo caminho a ser percorrido até a plena equidade de gêneros dentro das empresas.

 

Deixe uma resposta

Não se preocupe, seu email não será publicado.

*