Futuro econômico pós Covid-19

futuro econômico pós covid-19Para falar um pouco sobre o futuro econômico pós Covid-19, convidamos o politécnico e professor da FEA, Paulo Feldmann (mecânica, 72), para uma palestra online. A apresentação fez parte de um ciclo de palestras que apresentaremos ao longo do período de isolamento social.

Segundo Feldmann, vivemos a pior situação dos últimos cem anos, com diversos fatores agravantes que aumentam nossa preocupação. Apesar disso o Brasil tem algumas características que, com planejamento e trabalho, podem ser revertidas em caminhos que nos levem a superar as dificuldades econômicas de um futuro próximo.

Nas aulas que ministrava no final de 2019, o economista expunha e expectativa de baixo crescimento para este ano. Problemas como o protecionismo de governantes, as dificuldades de grandes bancos e atritos políticos entre China e EUA indicavam um crescimento mundial ao redor de 3%.

Na mesma época o cenário brasileiro também não era muito promissor. No país, 60% das famílias tinham dificuldades para pagar as dívidas e, com a desigualdade social entre as maiores do mundo, grande parte da população já vivia com problemas financeiros.

Com a súbita pandemia, que logo ganhou escala mundial, novos problemas foram agregados a este cenário. Feldmann aponta que há poucos meses ninguém imaginaria uma crise tão grande no setor de turismo, a ameaça de falência das companhias aéreas e queda tão brusca no setor automobilístico. É com essa nova realidade que o mundo terá que trabalhar daqui para frente.

A situação brasileira não é confortável. Geralmente muito afetado pela economia mundial, o país tem que enfrentar o efeito de grandes desafios globais, como a tendência de recessão e a provável redução dos postos de trabalho pós pandemia, já que muitos postos de trabalho vêm sendo automatizados por conta do isolamento social.

Em meio a tantos problemas, Feldmann também vê aumento da solidariedade e disposição de trabalhos conjuntos para superar a crise. Por parte das empresas, já vinha sendo consolidada a tendência de grandes corporações preocupadas não somente com o próprio desempenho, mas também com a sociedade onde estão inseridas.

O economista trouxe também dados técnicos para indicar que a situação econômica do Estado pode não ser tão desesperadora. O Brasil conseguiu acumular grandes reservas em dólar nos últimos 20 anos e com a recente valorização da moeda americana, o país ganhou 600 bilhões de reais com a valorização das reservas.

Daqui para frente todo o investimento do governo deve ser feito com planejamento e responsabilidade. O Professor chama a atenção para uma consequência da grande população pobre do país, que pode ser revertida em solução. O auxílio emergencial que vem sendo pago pelo governo mostra como não é tão caro movimentar a economia do país.

Projetos de transferência de renda, quando bem aplicados, estimulam o consumo por parte da população mais pobre, que possuem necessidades imediatas a serem sanadas. Essa movimentação do comércio mais básico pode interromper os efeitos da deflação, quando os consumidores evitam comprar, devido à expectativa de queda dos preços, comprometendo a cadeia produtiva.

A responsabilidade governamental, segundo Feldmann, não se restringe à economia interna. Questões diplomáticas devem ser encaradas com seriedade e cuidado, sobretudo em uma época em que a cooperação e a solidariedade são fundamentais na luta contra um inimigo em comum.

Paulo Feldmann encerrou a apresentação respondendo a algumas questões enviadas pelos participantes. O formato online de palestras é uma forma de mantermos as atividades da AEP, oferecendo informação de qualidade através de grandes profissionais.

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