Minervona – comemoração do 1° aniversário do Clube Minerva

MinervonaA representatividade, cultivada pelas integrantes do Minerva desde a origem, ficou evidente no Minervona, evento de comemoração de um ano do Clube.

O Clube Minerva foi criado pouco antes do início da quarentena, no dia 8 de março de 2020. Em meio às incertezas da pandemia, as engenheiras envolvidas no projeto foram perseverantes, superaram dificuldades e se adaptaram às novas condições. O Clube cresceu realizando atividades virtuais e chega ao primeiro ano consolidado dentro da Escola Politécnica.

Para a comemoração, o Minervona contou com a presença de seis coletivos e quatro professoras da Poli, que contribuíram com histórias de superação e exemplos de como a presença feminina vem crescendo, em número e relevância, dentro da Escola.

Ao apresentar as parcerias com os coletivos da Poli, a engenheira Mariana Kobayashi afirmou que “todas as iniciativas buscam trazer a ideia de que nós, mulheres, não estamos sozinhas”, traduzindo o espírito de acolhimento e solidariedade do Minerva.

 

 

A primeira a se apresentar no Minervona foi Larissa Mendes, do Poli Negra. O grupo surgiu em 2015, por iniciativa de mulheres negras cursando engenharia. Não é composto só por mulheres, já que foi criado para debater a política de cotas e desmistificar preconceitos, além de conectar as pessoas negras da Poli. Larissa afirma que hoje existem menos de trinta mulheres negras formadas pela Escola, mas com as cotas alguns cursos que nunca tiveram alunas negras em breve formarão as primeiras engenheiras.

Em seguida, foi a vez de Lara Prezotti, do Politécnicas (R)existem. O coletivo foi criado a partir da campanha “meu querido politécnico”, que expôs nas redes sociais algumas frases machistas, ainda presentes no cotidiano das mulheres. A campanha gerou muita polêmica, mas o apoio se sobrepôs às críticas e deu impulso para o coletivo. Segundo Lara, as mulheres ainda são menos de 20% na Poli e neste ano elas pretendem fazer um trabalho especial já com as calouras.

A próxima a se apresentar foi Fabia Bocayuva, do WiDS USP. O WiDS, ou Women in Data Science, surgiu em 2020. É uma iniciativa da Universidade de Stanford, que se tornou um projeto global, presente em mais de sessenta países. Apesar de muitas mulheres se interessarem por computação e ciência de dados, a carreira ainda tem grande maioria de homens. Várias mulheres buscam apoio para se firmarem em um ambiente muitas vezes machista e a WiDS, que já promoveu um workshop em parceria com o Clube Minerva, desenvolve diversas atividades em prol da igualdade de gêneros.

Na sequência, Cecília Matsumura apresentou o Gender STI – Science Technological Innovation. É um consórcio formado por países de quatro continentes, financiado no Brasil pela Fapesp, com o objetivo de ser um instrumento de promoção da igualdade. A partir de um mapeamento de como a questão de gênero é tratada em acordos multilaterais entre países, o consórcio vai formular um guia de melhores práticas. Para Cecília, a igualdade de gêneros é discutida em todo o mundo e o trabalho do consórcio é uma aplicação da ciência de dados voltada para essa igualdade.

Depois foi a vez da Fernanda Felix falar sobre o Poligen, criado em 2012 como um grupo de estudo de gênero. Com o tempo as atividades se diversificaram e hoje o Poligen também é um coletivo de acolhimento das mulheres, na Poli e na engenharia em geral. Entre as atividades realizadas pelo coletivo, destacam-se workshops, grupos de estudos e mentoring, com mentoras mais experientes – que podem ser engenheiras ou alunas da Poli – orientando as mais novas.

A parte do Minervona dedicada às parcerias foi encerrada com a Fernanda Felix, que apresentou o Elas Pelas Exatas. O projeto social foi criado em 2019, inicialmente voltado para a engenharia, mas hoje é dedicado às exatas em geral. Com o objetivo de estimular meninas a seguirem carreiras na área de ciências exatas, elas promovem apresentações e cursos para o público alvo. Entre universitárias e profissionais o projeto trabalha com o desenvolvimento de soft skills, fundamentais no atual mercado de trabalho.


Papo de Minerva

O Minervona seguiu a comemoração de um ano com mediação da engenheira Adriana Kazan, que é a nova coordenadora do Clube Minerva. A engenheira Heloisa Carvalho, uma das fundadoras do Clube e coordenadora desde o início, fez a transição simbólica da coordenadoria e foi homenageada pelo trabalho executado ao longo de 2020. Kazan disse defender uma causa em que acredita e quer aumentar a abrangência do Clube.

O Papo de Minerva traz mulheres inspiradoras para contarem suas histórias. Para esta edição especial foram convidadas quatro professoras da Escola Politécnica.

A primeira convidada foi Heloísa Helena Silva Gonçalves, engenheira civil e livre docente na Poli. Além de docente ela também prestou consultoria ao longo da carreira, conciliando as duas atividades durante muito tempo.

Formada em 1974, a professora conta que quando entrou na Poli a Escola contava com apenas 2% de mulheres, que usavam uma sala específica para se encontrarem. A carreira não chegou a ser muito planejada, mas o desejo de ser professora se somou à engenharia, já que tinha afinidade com as ciências exatas.

Heloísa lembra que com o passar dos anos as mulheres tiveram conquistas importantes de coisas que hoje soam triviais, como poder votar ou ter um cartão de crédito. Apesar disso ela afirma que as mulheres seguem sendo mais cobradas no mercado de trabalho, precisando provar que são capazes, enquanto os homens não precisam lidar com tantas exigências.

Em seguida o Minervona contou com a presença virtual de Patricia Helena Lara dos Santos Matai, bacharel em química e livre docente da Poli. Assim que se formou ela começou a trabalhar na indústria química, em uma época em que não havia muita preocupação ambiental e a presença masculina era muito grande, ainda que as mulheres ocupassem cargos de chefia.

Depois de muitos anos e diversas atividades realizadas na indústria, Patricia Matai sentiu a necessidade de novos desafios. Foi durante o mestrado em engenharia química que surgiu a oportunidade de ser docente – o que ela nunca havia planejado – e a grande satisfação de formar diversas turmas na Escola Politécnica.

Patricia lembra que sempre conciliou a vida em família com a profissão. Para ela os filhos e netos complementam a vida acadêmica e são dois prazeres indissociáveis.

A terceira professora convidada foi Carina Ulsen, formada em engenharia de minas na turma de 2004 e docente em engenharia de minas e de petróleo. Para ela a família tem papel fundamental na formação e nas escolhas profissionais de cada um, principalmente ao proporcionar diferentes ambientes para a criança se desenvolver e, evidentemente, sem fazer distinções entre profissões de homens e de mulheres, já que cada um deve ser livre para exercer a profissão que desejar, livre de rótulos.

Ao entrar na Poli, Carina Ulsen não sabia ao certo qual engenharia seguir, mas afirma que ao pôr os pés no prédio de minas sentiu que estava no lugar certo. A vontade de trabalhar com reciclagem surgiu quando o tema ainda não era muito estudado e a então estudante de engenharia precisou de muita determinação para ser uma das pioneiras em sua área.

Para Carina os filhos trouxeram empoderamento. Ela concorda com a professora Patricia Matai e afirma que os filhos não concorrem, mas completam a carreira profissional.

Por fim o Minervona contou com a participação de Lucia Vilela Leite Filgueiras, formada em engenharia elétrica na turma de 1983 e professora do departamento de engenharia da computação.

Sempre muito ligada à tecnologia, a professora afirma que muita coisa começou em casa, pois nasceu em plena corrida espacial, no dia em que o primeiro americano foi para o espaço, e fez parte de uma geração que sonhava com a tecnologia.

Depois da graduação, Lucia Filgueiras tinha medo de dar aulas e começou a trabalhar em uma empresa. Foi ao longo do mestrado que conheceu professoras inspiradoras no LSD (Laboratório de Sistemas Digitais), período que coincidiu com uma crise no trabalho.

Em uma fase de muitas mudanças na vida, Lucia Filgueiras decidiu pedir demissão da empresa, teve o segundo filho e começou a dar aulas. Ela enfatiza na apresentação a importância da formação que começa em casa, sem que ninguém diga não aos sonhos.

Este Papo de Minerva especial encerrou o Minervona, em comemoração ao primeiro ano do Clube Minerva. Para 2021 o Clube já tem várias atividades programadas, fique atento às redes sociais para acompanhar todo o calendário!

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