Webinar com a Profª Liedi Bernucci abre as atividades do Clube Minerva

 

No primeiro evento do Clube Minerva recebemos a Profª Liedi Bernucci, diretora da Escola Politécnica, que destacou a importância do Clube e o alinhamento com suas expectativas, em um webinar acompanhado por plateia virtual, devido à quarentena.

Segundo a diretora, o percentual de mulheres na graduação da Poli vinha em ascensão, mas nos últimos quatro anos se estabilizou em 20%. É pouco se comparado a outras grandes universidades como o MIT, com cerca de 40%, ou a Cornell, que equilibrou os gêneros em 50%.

Trazendo exemplos de sua vida pessoal e profissional, Liedi lembrou de quando ainda cursava o colegial e precisou de aulas particulares de física. A matéria que parecia tão complexa ficou simples depois da aula que recebeu de um estudante da Poli.

Foi o momento em que a engenharia se consolidou nos planos da estudante que, desde pequena, sempre gostou de carrinhos, sem se dar conta de que eram considerados brinquedos “de menino”. Liedi não tinha nenhum engenheiro na família, mas estava cercada por “pessoas que entendiam o mundo sem preconceito”, diz.

Hoje a primeira mulher diretora da Escola Politécnica ainda valoriza o exemplo motivador, mas reconhece que é preciso ir além. Inspirada em outras instituições, com o próprio MIT, a Poli começou a receber meninas do ensino médio, de escolas públicas e particulares, para visitas aos laboratórios. Ainda que neste ano o programa tenha sido prejudicado pela pandemia, “no ano passado foi bom ver o brilho nos olhos das meninas” afirma a diretora.

Além de destacar a importância do Clube Minerva como iniciativa para a igualdade de gêneros, a Professora lembrou da importância histórica da AEP em outro grande desafio da Poli. Se há poucos anos a Escola tinha uma média de 18% dos alunos vindos da rede pública, graças às cotas esse número subiu para 37,5% e no ano que vem serão 45%.

Ela, que estudou em escolas públicas, sempre foi a favor das cotas, mesmo reconhecendo que a Poli não estava preparada para as novas demandas. Adiar a implementação das cotas negaria a uma geração que estudou na escola pública o acesso à Poli. O desafio agora é identificar as dificuldades e as formas de superá-las.

A solidariedade dos politécnicos pode ser um caminho a curto prazo. Se os programas de bolsas de estudo e mentoria, organizados pela AEP, já mostravam a disposição dos ex-alunos em contribuir com a Comunidade Politécnica, a recente campanha de arrecadação de computadores para estudantes que passaram a ter aulas virtuais deixou essa disposição ainda mais evidente.

A Profª Liedi sempre foi grande entusiasta do programa de bolsas da AEP. Quando ela concluiu o colegial recebeu uma bolsa para fazer cursinho e a universidade pública era sua única opção, pois a família não teria condições de pagar uma faculdade particular. Hoje, após consolidar a carreira na Poli, não mede esforços para abrir esta mesma porta para mais estudantes.

Este ano o desafio ficou ainda maior, já que a quarentena forçou adaptações bruscas no ensino. Professores da Poli foram orientados às pressas para o ensino à distância e no próximo mês começarão a receber trabalhos feitos em casa pelos alunos.

Mesmo que sejam medidas necessárias, Liedi, que não abandonou as aulas mesmos depois de ser eleita diretora, não esconde certa decepção com o ensino à distância. Para ela os professores precisam ter contato com os alunos, olhar para os estudantes e ver se o ritmo da aula está adequado.

Tantos desafios não desanimam a engenheira que já foi chefe de departamento quatro vezes e era vice-diretora antes de assumir a diretoria da Poli. Pioneira em tantas situações, a Profª Liedi Bernucci consolida seu legado na Escola. É um exemplo para as engenheiras que já passaram pela graduação e para as estudantes estimuladas a romper o preconceito de gênero e cursar as carreiras de exatas.

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