Marcello Tupynambá – um politécnico na música modernista

Marcello TupinambáO início do século 20 foi um período de ebulição cultural na cidade de São Paulo. Em meio a poetas, pintores e escritores, um politécnico ganhou destaque através de composições musicais elogiadas pelo compositor Heitor Villa-Lobos e Mário de Andrade, que além de escritor era musicólogo.

Marcello Tupynambá foi o pseudônimo adotado por Fernando Álvares Lobo, formado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica, na turma de 1914. A engenharia dividia espaço com a paixão pela música, herdada da família.

O pai de Tupynambá era o maestro Eduardo Lobo, destaque no cenário musical da época, chegando a reger a orquestra que recepcionou D. Pedro II no interior paulista. O tio era Elias Lobo, patrono da cadeira de número 14 da Academia Brasileira de Música.

O engenheiro conseguiu um piano em troca de duas músicas. Com o sucesso de suas partituras pagou o instrumento e ganhou muito dinheiro. De acordo com o diretor da Escola Politécnica da época, o engenheiro Antônio Francisco de Paula Souza, não era adequado a um engenheiro, nem a um músico de concertos, usar o próprio nome nas composições de maxixes e tanguinhos, considerados ritmos populares. Assim nasceu o pseudônimo que consagrou o músico.

Após cerca de quatro anos de exercício da engenharia, com algumas casas projetadas e músicas compostas, uma amaurose comprometeu gravemente a visão de Tupynambá e fez com que a música se firmasse como principal atividade. Resiliente e versátil, não admitia que a falta de visão fosse um empecilho à vida profissional.

Autor de mais de 300 obras, inclusive “O passo do soldado”, hino constitucionalista de 1932, o compositor teve influência direta sobre Villa-Lobos, que afirmou ter sido influenciado, em uma de suas sinfonias, por “um tema, de uma parte de tua alma sonora, filha dos trópicos de nosso Brasil”, em dedicatória feita a Marcello Tupynambá.

No auge da carreira, ganhou o apelido de “Schubert brasileiro”, em referência ao virtuoso compositor austríaco Franz Schubert. O amigo Mário de Andrade, coautor da música “Canção marinha”, afirmou que Tupynambá era “o mais original e perfeito compositor brasileiro”.

Reconhecido no meio artístico, o compositor teve suas obras gravadas, ao longo do século 20, por artistas como Pixinguinha, Francisco Alves, Inezita Barroso, Guiomar Novaes e Eudóxia de Barros.

Nascido em 1889 na cidade de Tietê, a 140 km da capital paulista, Fernando Álvares Lobo mudou para São Paulo, se formou em engenharia civil na Escola Politécnica, tornou-se Marcello Tupynambá e compôs grandes obras da música brasileira. O músico engenheiro morreu em 1953, aos 64 anos.

 

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