Prof. Marcelo Zuffo é homenageado como Professor do Ano – 2021

Marcelo Zuffo homenageado como professor do ano 2021O Professor Marcelo Zuffo foi homenageado pela AEP como Professor do Ano – 2021. No primeiro evento híbrido, realizado presencialmente no Anfiteatro Francisco Romeu Landi, mas com público virtual, Zuffo recebeu familiares e membros da Comunidade Politécnica, que muitas vezes se sobrepõem.

A família Zuffo conta com muitos politécnicos e a engenharia, conforme ficou claro nos discursos, não é apenas uma profissão, mas um elemento que permeia a vida de todos desde a infância.

O engenheiro Dario Gramorelli, diretor geral da AEP, deu início à homenagem, e afirmou que através do Professor do Ano a Associação dos Engenheiros Politécnicos presta uma homenagem aos docentes. Gramorelli enfatizou que a educação é a base de uma sociedade vitoriosa e usou como exemplo o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, unindo esforços de diversas áreas do conhecimento.

Para o diretor da AEP foi uma satisfação pessoal homenagear ao longo da gestão engenheiros que trabalharam juntos em projetos da Escola Politécnica. A celebração deste ano foi peculiar, pois contou com a presença de quatro professores homenageados.

Uma delas é a atual diretora da Escola Politécnica. A professora Liedi Bernucci, homenageada em 2016, destacou a dedicação de Marcelo Zuffo à Poli. Segundo ela, durante a pandemia Zuffo foi uma das pessoas que puderam arregaçar as mangas e trabalhar por resultados efetivos. Em nome da diretoria da Escola, Liedi Bernucci agradeceu ao Prof. Zuffo por tudo o que fez pela Escola, pela USP e pela sociedade.

Em seguida o paraninfo do evento foi o Prof. Raúl González Lima, outro homenageado como Professor do Ano, em 2020. A amizade entre ele e Marcelo Zuffo começou justamente quando ambos lideraram o desenvolvimento do ventilador pulmonar Inspire, logo no início da pandemia de Covid-19. Lima enfatizou o trabalho eficiente do amigo ao desenvolver projetos que logo ganham grande alcance na sociedade, como o padrão de TV digital do Brasil, que contou com a participação de Zuffo e hoje é utilizado em catorze países.

A politécnica Cristina Zuffo, irmã do homenageado, deu sequência ao evento. Todos os participantes ressaltaram a ligação forte de Marcelo Zuffo com a família. A apresentação da irmã deixou claro que são caminhos indissociáveis. O irmão mais velho teve contato com a engenharia desde cedo e a curiosidade produzia experiências desde a infância. Eleito o melhor aluno da classe por três vezes consecutivas no Colégio São Luis, o aluno dedicado seguiu em destaque na Poli, onde, por não pegar DP, acabava colocando pressão nos irmãos.

Cristina Zuffo disse que na Poli o irmão conheceu a alma gêmea, a professora Roseli de Deus Lopes. O casal tem dois filhos, Leandro e Letícia, que, de acordo com Cristina, desde pequenos passavam o dia na Poli, com os pais. A irmã encerrou parabenizando Marcelo Zuffo, por ser um grande filho, marido e pai, além de um profissional de extrema competência e apaixonado pelo que faz.

Companheira desde a graduação, a professora Roseli Lopes se emocionou ao falar dos 29 anos de casamento, que teve início com um namoro escondido na Poli. No lado familiar, ela destacou que Marcelo Zuffo teve a sorte de nascer em uma boa família e de fazer o que gosta. Segundo Lopes, como profissional, Zuffo é professor em todas as dimensões, atuando na sala de aula, em grupos de extensão e como exemplo de vida, pois vê na engenharia o propósito de melhorar o planeta.

Devido às restrições de público, alunos e amigos do professor Marcelo Zuffo participaram através de vídeos. Representantes da equipe Skyrats (que desenvolve drones inteligentes), do laboratório Citi (Centro Interdisciplinar de Tecnologias Interativas) e alunos orientandos deram seus depoimentos, assim como familiares e professores, como Paulo Blikstein e Jon Maddog.

Todos os depoimentos deixaram claro como o ensino de Marcelo Zuffo não se restringe à sala de aula ou aos laboratórios. O bom humor e a paixão de Zuffo pela engenharia servem de motivação, deixando todos animados com os projetos em que ele participa.

A entrega da placa de homenagem ficou por conta do politécnico João Antônio Zuffo, pai de Marcelo. Homenageado como Professor do Ano em 2006, João Antônio Zuffo notou a inclinação do filho para a ciência desde a infância e procurou incentivar em tudo que fosse possível. Afirmou estar emocionado pela premiação, que disse ser merecida.

Em discurso, o Prof. Marcelo Zuffo agradeceu a homenagem, destacando o apoio familiar. Desde o início da pandemia o trabalho foi intenso para o desenvolvimento do Inspire. O resultado foi recompensador, além das vidas salvas graças ao equipamento, Zuffo afirmou que muitos engenheiros saem mais unidos depois da pandemia; porém os desafios foram grandes. Com suspeita de ter contraído o vírus, Zuffo chegou a dormir na Poli para preservar a saúde dos familiares.

A trajetória para chegar até a homenagem foi longa e começou antes mesmo do ingresso na Escola Politécnica. Na vida familiar, cresceu cercado por muita cultura. A engenharia sempre era debatida em casa a partir de nomes consagrados da ciência, como os renascentistas Dante Alighieri, Giordano Bruno e, talvez o mais destacado dos engenheiros, Leonardo da Vinci.

Desta forma Marcelo Zuffo viu o pai começar a pensar um projeto de país baseado em muita engenharia. Entrou na Escola Politécnica, onde o primeiro interesse foi pela computação gráfica, e seguiu a carreira passando por outras universidades. Foi em Manchester, ainda na década de 1980, que teve contato com um dos computadores mais caros da Europa. A liberdade que tinha para acessar o laboratório a hora que quisesse o motivou a trazer essa filosofia para a Poli.

Hoje muitos estudantes e professores destacam a iniciativa de Zuffo, que dá toda liberdade para que os alunos tenham experiências intensas durante a graduação, com acesso aos laboratórios e independência para desenvolverem projetos que tragam satisfação pessoal.

Marcelo Zuffo encerrou sua fala afirmando que ganhar o mesmo prêmio que o pai ganhou há 15 anos atrás é emocionante, talvez o maior prêmio que já ganhou na vida. Renascentista, Zuffo acredita que todos viveremos um renascimento após a pandemia. A característica primordial do período renascentista vem sendo posta em prática pela família Zuffo há muito tempo, a valorização da ciência e do conhecimento para o benefício da sociedade.

 

 

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